quarta-feira, setembro 19, 2007

que PRAGA de malucos!!

Ora, aqui a viajante, uma semana depois de ter chegado a Berlim, enfiou-se num autocarro e foi para Praga, República Checa!

E assim começou o meu regresso à Estónia, ou a minha grande aventura de autocarro... dasse!! De Berlim a Praga são 6 horas de distância e eu lá fui ver os miúdos! Quando cheguei à estação do bus, não tinha uma comitiva à minha espera, mas tinha o

apercebi-me cedo que ia andar sozinha, a fazer turismo, em Praga! O Pedro, a Pipa e o Cão são voluntários na capital da checa. E ao contário do que muita gente pensa, os voluntários trabalham!! Ou seja, com o Pedro a trabalhar, a Pipa primeiro a trabalhar, depois ausente no mid-term e o Cão montado na sua nuvem encantada, passei os dias de uma semana sozinha, a vaguear por Praga! Foi do belo, porque me colei a bué de excursões de espanhóis e ingleses para ouvir as explicações sobre o que via. Fui falando com a malta, à noite, entre os copos de cerveja, sobre o que ver e onde ir... o que deu com que me perdesse algumas vezes, mas nada de grave.
No primeiro dia, assim à maluca, mandei-me para a estação de metro onde me parecia ter mais cenas interessants para ver, ou assim me dizia o mapa. E à saída do metro deparo-me logo com isto

que me fez perceber que ia gostar muito de Praga. A visão da ponte mais antiga da cidade e a quantidade de turistas fez-me perceber qe estava no sítio certo! A ponte é fortificada, em ambos lados, com torres (A Torre do Bairro Pequeno, e a Torre da Cidade Velha). Entre as torres, ou seja, ao longo da ponte, há cerca de 30 estátuas de santos, incluíndo o Santo António! Curiosidade que me foi denotada por 3 turistas tugas, meninas do bem, que andavam à procura do santo para sacar umas fotos!

Na praça da cidade velha... muitas das fotos que tenho de Praga tirei-as não sei a quê... e são quase todas ao alto... Como tenho o visor da máquina partido, tenho mais céu que parede, às vezes... enfim
Mas tirei muitas, muitas fotos a casas, edifícios, igrejas, etc. Tudo porque nunca pensei que Praga, tão perto de Berlim, tivesse sobrevivido tão intacta à IIGM. Dos edifícios barrocos, às casa de arte nova, vi muitas praças, cantos e recantos como este

que fascinam qualquer um...

uma igreja, não sei do quê... mas gostei da ousadia dos pináculos das torres que ascendem ao céu. O céu em Praga esteve quase sempre com esta luz manhosa... Pouco sol, mas uma claridade dolorosa, para os meus olhos. Choveu que se fartou, mas não fez muito frio... Sol, que me lembre, só um dia...

só para vos provar que não digo mentiras quanto ao céu... isso e para explicar porque é que em muitos sítios vi Praga descrita como a cidade das mil torres. Eu assim, só de repente, conto 11... Também ouvi dizer que Praga era cidade dourada. E vi muito dourado, sim senhor. Mas quem disse isso numa foi a São Petersburgo num dia de sol... Perigo de cegueira!

À direita o castelo, onde trabalha o Presidente da Répública, mais umas catederais, mais uma ponte (Praga tem bué delas, umas bonitas, outras incríveis, umas normais...) e em último plano a miniatura da Torre Eiffel...

Esta foto foi da minha primeira incursão em Visherad, um monte fortificado da cidade. Adiante já vos digo mais coisas sobre o monte. Para já digo-vos só que esta vista dos telhados de Praga me fez lembrar a vista do meu quarto em Coimbra. Os telhados, o caos, as inclinações. De um outro ponto do monte tive outra visão de Coimbra, deita feita do Paço das Escolas (Via Latina), atrás da estátua do rei, em direcção do fim do rio... E em muitas vielas e personagens, Praga fez-me muito lembrar Coimbra do choupal!

ora aí está! Eu vi bué de esquilos em Praga... e não é que tenha andado muito por parques ou jardins... mas é que eles estão em todo o lado e não me pareceram assim tão medrosos. Até vi um esquilo todo preto, coisa que nunca tinha visto!

este esquilo e esta coruja foram alguns dos animais que vi nos jardins do castelo. Um dia decidi que queria ir lá acima... apanhei um eléctrico manhoso e saí antes dos outros turistas. Dei por mim nuns jardins brutais, muito perto do castelo.

Praga é um mimo!! Andei quase sempre sem mapa... e diga-se que o meu sentido de orientação é quase inexistente, mas nunca me perdi ao ponto de entrar em pânico! Nesta incursão pelo monte que leva ao castelo, tive ainda um guia muito importante: turistas!! À medida que atravessava os jardins, a quantidade de turistas aumentava... "devo estar mesmo perto do castelo"...
E estava mesmo! ao estreitar por uns arbustos

vi a catederal que fica dentro dos perímetros do castelo.
Fiz uma paragenzinha para aliviar a bexiga (no museu não sei do quê) e eis que me deparo com umas torneiras muito fálicas!!

Não curti nada as torneiras, mas deixo aqui o registo para a Cati!
Despois, mais leve, foi só seguir os turistas em direcção à porta do castelo

que me pareceu um bocadinho assustadora, para já não dizer violenta!!!
Bem, o castelo em si, não tem assim nada de especial... é a tal merda: há cenas que vistas ao longe parecem um espectáculo, mas ao perto... o que, ao longe salta à vista é mesmo a catederal do século XIV (o castelo é do século IX)

esta catederal é a maior igreja de todo o país, e digo eu que deve ser o maior edifício gótico-barroco que eu alguma vez vi! Os reis da Boémia estão enterrados lá dentro, assim ao estilo de D.Pedro e D.Inês em Alcobaça. Lá dentro perdi mais de uma hora em pormenores.

das arcadas aos vitrais feitos por artistas modernos (como um de Art Nouveau por Alfons Mucha), a catederal está cheia de pormenores incrívels e tem um órgão de tubos que só de imaginar o som dá arrepios!!
Adiante, ainda dentro do perímetro do castelo há mais umas igrejas e umas cenas catitas, entre elas o museu dos brinquedos

Que os checos são especialistas em brinquedos de madeira, marionetas e afins, eu já sabia. Mas não sabia porquê... agora sei que quando for grande hei-de ir a Praga comprar binquedos para os meus putos. E a dona Pi também lá devia ir, às compras, se quer trabalhar com meninos e meninas...
e do alto da colina do castelo, mais uma vista bem bonita da cidade

Num outro dia meti-me a descobrir mais um monte, desta feita Petrin, perto de casa do Pedro e não muito longe do castelo. Aí vi mais uns esquilos, dei uma voltinha de funicular e vi a bela da Torre Eiffel

é uma torre de observação que tem apenas 60 metros de altura e foi costruída para a exposição do Jubileu (seja lá o que isso for) em 1891. Além desta torre e de mais uns elementos feitos para a mesma exposição, o Parque Petrin tem ainda uma muralha de quase 2 km de comprimento e 4 de altura, conhecida como a Muralha da Fome... reza a lenda que o rei (algures no século XIV) a mandou construir para dar trabalho e comida aos desvalidos da cidade. De um dos pontos mais altos da muralha tem-se mais uma vista incrível para o castelo

o Parque tem ainda duas ou três igrejas, das quais a minha preferida foi esta

toda feita em madeira e trazida, nos anos 20 do século com o mesmo número, de uma aldeia na Ucrânia. Não sei mais sobre a igreja, a não ser que de chama igreja de São Miguel e que a região da Ucrânia de onde foi trazida tem as mesmas cores na bandeira que a República Checa e situa-se a sudeste dos montes Cárpatos...
Ainda, no mesmo parque, mas já no sopé, em frente da rua com o maior número de bares visitados por mim =) está o memorial às víctimas do comunismo.


Este memorial tomou-me algum tempo de reflexão, ajudada pelas palavras do Gonçalo: "Nós nunca vivemos sob um regime comunista", por isso claro que temos uma visão muito diferente (talvez idílica) do que o comunismo significa ou significou. Junto às estátuas há uma placa que diz (em inglês e checo): "O memorial às victímas do comunismo é dedicado a todas as víctimas. Não apenas àqueles que foram presos ou executados, mas também àqueles, cujas vidas foram arruinadas pelo despotismo totalitário." Ora, toma lá e embrulha! Para a próxima vez que pensares que és ou foste comunista ou simpatizante, lembra-te destas palavras!
De volta às minhas voltas pela cidade, tirei um dia para apreciar casas e os seus pormenores. Comecei pelo bairro judeu, onde queria ver o antigo cemitério, mas o preço era um bocado exorbitante... Mas as sinagogas e as casas, são altamente... lá perto

os pormenores de arte nova de certas casas impressionaram-me. E impressionou-me também esta casa cubista

que alberga o museu deste tipo de arte. Eu nunca tinha visto nada tão quadrado... aliás nem sabia que este tipo de arquitectura tinha ganho adeptos em alguma parte do mundo!
parece-me mais normal e frequente ver este tipo de coisa

se bem, que não me diz tanto como a anterior...
Independentemente do que me toca ou não, Praga chamou-me a atenção pela quantidade estúpida de pormenores espalhados por todo o lado

desde este senhor (que não faço ideia de quem seja ou porque esteja ali... se alguém souber, que me conte, por favor!!), às gravuras nas casas, à estátua de uma menina sentada, no topo da universidade, às esculturas dos ofícios dos antigos donos de várias casas (como sendo peixeiros, ferreiros, vendedores de penas de ganso...)... Praga deve ser daquelas cidades em que vale a pena apostar várias vezes. Isto é, acho que vale a pena visitar a cidade mais que uma vez, porque certamente que se descobrirão coisas novas, pequenas e bonitas a cada visita, em cada esquina!
outro pormenor de andar sozinha em Praga...

esta é a única foto que tenho da minha bela tromba... a única prova que estive lá! Foi tirada pela Theresa dos cabelos ruivos! (é só um aparte...)
e de volta à arquitectura...

é daquelas cenas que não sei se goste ou se não goste! o prédio é catita, mas no meio da paisagem circundante é uma aberração! Chama-se Fred and Ginger (Fred Astaire e Ginger Rogers) porque é suposto lembrar um casal de dançarinos. E por isso é conhecida como Dancing house. Os arquitectos são um checo nascido na croácia e um canadiano nascido no Canadá (Vlado Milunić e Frank Gehry, respectivamente) preencheram um espaço, junto ao rio, que as bombas de 1945 deixaram livre. O edifício de 1996 não combina lá muito bem com as fachadas da rua que se pautam em estilo Neo-Barroco, Neo-Gótico e de Arte Nova... Senão vejamos

que vos parece? mas se calhar é exactamente pelo contraste, do velho com o novo, no branco com o cinza... se calhar é isso que faz da casa dançante essa coisa tão fofa!!
Mais adiante, na mesma rua, mais um belo postal do castelo e da tal ponte das mil estátuas!

No meu último dia em Praga voltei ao monte de Visehrad. Diz-se que foi ali que uma princesa teve a visão premonitória que se iria concretizar na edificação de Praga. O facto é que além das fortificações, umas ruínas, umas estátuas e umas rotundas... neste monte fica a bela da igreja de São Pedro e São Paulo

E o cemitério onde estão enterrados os checos mais famosos de todos os tempos. É a última morada do compositor Antonín Dvořák, do Nobel Jaroslav Heyrovský, do artista Alfons Mucha e do escritor Jan Neruda. Dados as inúmeras campas de músicos, escultores, actores, pintores, escritores, etc, o cemitério de Vyšehrad tem esculturas e pinturas incríveis a cada esquina

e foi assim, a minha vida em Praga... o que vi e o que não vi! Mas do que mais gostei foi das pessoas. Não dos checos... que os poucos que conheci tinham uma pinta de malucos... mas dos tugas que fui ver e do tuga que vi como bónus! Fui ver o Pedro, a Pipa e o Cão, não necessariamente por esta ordem, nem com a mesma urgência. O Cão e a sua nuvem encatada, vi-os poucas vezes... A Pipa, a meio da minha estadia foi recambiada para o mid-term, o que não me deu o tempo que gostaria de ter passado com ela. Mas tive o tempo suficiente para ver o projecto dela, que me pareceu super interessante. É um trabalho de escritório numa associação ambiental que está sediada numa quinta ecológica, a uma hora do centro de Praga. O trabalho de escritório suponho que seja igual em todo o tipo de office, em todo o lugar do mundo: uma seca fodida!! (mesmo que se trate de trabalhar para um objectivo bom e bonito ou se fazer uma cena que a malta curte...) Mas a quinta é que me pareceu muito bem. Nos subúrbios, permite a muitas criancinhas estudar na escola que integra (logo, com um programa escolar de vertente eco-ambiental). Tem uma área considerável (que é aquela palavra bonita que se usa quando não se sabe quantificar algo!) animaizinhos, plantações de uma certa erva (para fazer tecidos, claro!), um pântano, um hostel... bem, parece-me então que há uma quantidade de coisas que se podem fazer ali! Pronto e parece-me bem, porque além da escola e dos vários escritórios de organizções ali sediadas, a quinta alberga uns quantos voluntários, uma sauna suada e uns festivals de folk (que eu bem vi!). Fiquei feliz por saber que a Pipa está num sítio que na Primavera e no Verão deve ser muito bonito!
E o shôr Pedro, que também trabalha num office, mas no centro da cidade lá deu umas voltas comigo na cidade, especialmente à noite, lá tratou de arranjar uns birls e proporcionar-me umas belas "discusões" num português vernáculo! É verdade, nós curtimos aqueles arranca-rabos que não fazem mal a ninguém. E quem lê estes blogs (este e o tuganacheca) já se apercebeu disso e de que a malta, apesar dos palavrões, curte-se!
Foram estas três almas que me fizeram ir a Praga. Mas, no segundo dia diz-me o Pedro: "Já estive com o Gonçalo"... e até me caiu tudo. Eu sabia que ele ia para a Checa fazer ERASMUS, mas não sabia que ia na mesma altura em que eu lá estava e muito menos que nos íamos encontrar! Foi uma agradável surpresa! E antes que desse conta estávamos os 4 (eu, a Pipa, o Cão e o Gonçalo), num qualquer bar, a beber uns finos, e a discutir política e filmes e livros e merdas, tal como se estivéssemos em Coimbra! Claro que não estávamos sozinhos. O Pedro e os amigos também lá estavam, mas acho que acabámos por espantar toda a gente. Estávamos os 4 a um canto, a falar em português sobre dúzias de pessoas que mais ninguém ali conhecia e acabámos por ficar sozinhos... Lá se foram todos embora e nós ficámos, como se estivessemos no 48, na Rosete, no Tropical, no Gil Vicente, nos jardins da AAC... Foi talvez o melhor momento das minhas férias! Claro que faltou ali muita gente, que faz parte dos cenários acima referidos, mas, para mim, foi suficiente para me sentir em casa, para sentir o abraço quente de voltar a casa!
E pronto houve ainda a noite da bacalhoada, em que a malta demolhou e cozinhou bacalhau à Gomes de Sá enquanto o diabo esfrega um olho, para delícia dos convivas!Esses convivas eram outros voluntários, o que me leva a partilhar algumas reflexões convosco. Esta semana em Praga serviu também para eu medir o tipo de relacionamento entre voluntários em distintos pontos da Europa. Tomei como referência a malta em Praga e a malta (que já foi embora, mais eu e o Thomas) em Tallinn. E só confirmei aquilo que já há muito me tinha apercebido: o meu grupo de amigos em Tallinn era uma máquina!! Em Tallinn, posso dizer que tínhamos uma verdadeira equipa, de trabalho, diversão e cozinha. Uma turma que andava sempre junta, com alto espírito de iniciativa! e que saudades tenho dessa equipa! Em Praga, vi grupos pequenos de voluntários, alguns ex-voluntários que vivem no país, com vidas muito independentes. Não que isso seja mau, claro que não. Mas... não sei... uma cena que curti nos voluntários em Praga é que têm mais amigos checos do que nós estonianos. E falam checo entre voluntários, ou pelo menos tentam! Tiro-lhes o chapéu, sinceramente!
é assim... gostei muito de Praga, da cidade em si e de rever os amigos. De lá queria seguir para Vilnius, mas os bus estavam todos cheios... então meti-me num que, dez horas depois, me deixou em Varsóvia... cenas do próximo episódio já a seguir...

entre a porta de minha casa e a porta do meu quarto


É uma casa de gajas, com certeza!!

terça-feira, setembro 18, 2007

Berlim pim pim

ora então, começemos o relato das viagens deste "Verão". Depois de trabalhar o Verão inteiro, Agosto incluído (algo inédito na minha curta vida), meti-me num belo avião cor de laranja e aterrei em Berlim! Eu sempre tive bué de curiosidade em visitar a Alemanha, o país em que parece que tudo funciona, a mais forte economia da União, etc.

E quando me meti nesta aventura do voluntariado era para a Alemanha que queria ir, para melhorar a língua... vim para a Estónia, mas não é por isso que deixei de ir a Berlim!
então, benvindos à reportagem fotográfica sobre Berlim

Uma das primeiras cenas que tratei de fazer foi procurar a

onde a Xana (ex ERASMUS em Tallinn) me disse que podia encontrar o belo do pastel de nata, acompanhado por um cafézinho Delta. E assim foi, mesmo no centro da cidade

depois, como qualquer bom turista, siga para essa parede, marco da história que se vê em Berlim em todos os guindastes e igrejas arruinadas

ora, eu quando cheguei ao aeroporto tinha esta bela comitiva à minha espera! A Doro (quase a cair), a Barbara (com ar de matadora) e a Laura (sentada no chão) foram voluntárias na Estónia. O moço a segurar a Doro é o namorado dela e o outro é o Robert, ex-ERASMUS aqui em Tallinn. Fiquei 3 dias em casa dele e 3 em casa da Laura! E viva a hospitalidade alemã, muito fixe!
Depois fomos ver o oposto do muro, o centro do modernismo, o Sony centre onde figura esta belissima girafa feita em LEGO
que me fez lembrar as minhas incursões infantis por esse mundo de construções. Claro que nunca consegui construir nadinha de jeito, se calhar é por isso que não sou arquitecta!
Enfim, esse Sony Centre, no coração da cidade, além de ser uma enorme centro comercial sem paredes, tem um tecto que eu curti

assim em forma de guarda chuva de aço e vidro!
Claro que a ida ao Sony Centre não foi um destino turistico. O destino era a nova galeria nacional, grátis às quintas feiras. Mas como de momento a galeria acolhe uma exibição de arte francesa que veio de Nova Iorque (onde estão as peças da galeria) a entrada já não era gratuita... e a malta voltou para trás! Fomos ao memorial aos Judeus mortos em toda a Europa, que estava fechado...

os não sei quantos blocos de cimento todos alinhados, com alturas diferentes não representam nada em especial. É suposto o visitante sentir (segundo os arquitectos) e não compreender! Claro que quando lá chegámos estava fechado... mas voltámos lá noutro dia e passámos umas horas a aprender a história dos judeus assassinados em todo o continente europeu. Aprendi que na Lituânia morreram quase tantas pessoas como na Alemanha e que Portugal não figura de nenhum mapa naquele memorial. O Memorial tem uma sala de nomes, uma de famílias e uma barra cronológica impressionante. Fiquei a saber um bocado mais duma história que parece ter passado ao lado da memória portuguesa! Tudo o que nos ensinam na escola é que Portugal foi um pais neutro na IIGM, que recebeu muitos judeus refugiados (pelas mãos de Aristides Sousa Mendes) e ouro Nazi. Ensinam-nos que Salazar era muito próximo dos outros líderes fascistas, mas que estava mais interessado em Franco do que em Hitler. Ensinam-no que no final da IIGM milhares de tugas emigraram para ajudar a reconstruir a Europa destruída... e é só! Ou isso ou eu tenho uma memória de merda! Acho que as jovens gerações de alemães que aprendem na escola o epicentro da história são mais tolerantes e conscientes do que eu.
E do memorial às portas de Bradenburgo é só virar uma esquina ou duas

e aí fica o registo dos berlinenses junto do marco da sua cidade.
Um novo dia, e começámos o passeio pela sinagoga velha

e pela nova e depois Tacheles, esse espaço artistico-degradado! É talvez um dos marcos mais característicos de Berlim: um grupo de artistas toma de assalto um prédio devoluto e torna-o em espaço de producação, exposição e venda de arte.
Claro que não se pode fotografar os artistas ou as peças, mas no vão das escadas esta miúda é fotogénica

e os cafés no rés do chão são aprazíveis... e deve dar grandes festarolas, parece-me

apesar de aqui não vos mostrar muitas fotos da torre da televisão, ela estava sempre lá, ao perto ao longe, só a bola, só a antena... um dia até perguntei à Laura "are you sure you only have one tower?? It is everywhere!" Mas saquei-lhe umas fotos bem catitas, de baixo, de frente, em reflexo, do reflexo do reflexo... enfim!
Houve um dia que fomos a Potsdam, uma cidade pequenina, com 150 mil habitantes, mesmo às portas de Berlim. É lá que estuda o Robert

exactamente aqui!! Em tempos, Potsdam foi a residência dos reis da Prússia. Tem não sei quantos lagos e jardins, castelos e cenas bem catitas! É um dos mais importantes centros universitários da Alemanha e a área com mais elementos Património Mundial da UNESCO em todo o país. Foi aqui que Stalin, Truman e Churchil se sentaram à mesma mesa, em 1945, para decidir como administrar a Alemanha que se tinha rendido dois meses antes, no final da guerra.

claro que toda a história tem uma parte engraçada... ou nem por isso!
de volta ao centro de Berlim, aí está a bela da igreja, ou melhor, o que resta dela!!

destruída graças a bombardeamentos aéreos durante a II GM, esta igreja foi deixada assim, não foi reconstruída e é hoje um memorial! Uma das cenas que em apercebi é que este edifício é dos poucos que não está em (re)construção. Pelo resto da cidade há guindastes e gruas em todas as esquinas. Fazem parte da paisagem da cidade as (re)construções de novos ou velhos edifícios. E parece tudo tão novo, tão bem tratado, tão pensado! A cidade funciona super bem, sem caos urbanístico ou complicações no trânsito, com um sistema de transportes públicos estupidamente eficaz e mais bicicletas que motas! É fixe andar na rua em Berlim!
Claro que nem tudo foi destruído e há alguns edifícios antigos que resistiram e ainda hoje hostentam os buracos das balas nas suas paredes. É o caso deste museu

na ilha dos museus, onde eu vi um autocarro português!! E vi uma feira de velharias onde, encontrei um exemplar muito antigo d'"A Relíquia", em alemão. Um belo presente para o Robert, aficcionado da leitura e senhor de um humor muito particular. Acho que as piadas do Eça lhe vão cair muito bem!

De novo a torre, e o céu mais ou menos azul de Berlim... por acaso as duas semanas e tal de férias foram marcadas pela chuva, às vezes pelo frio...


os famosos sinais de trânsito para transeuntes da antiga Alemanha Oriental. São super catitas!
E uma coisa gira que eu descobri, no sítio onde costumam andar as meninas lá do sítio, foi este belo café. É que nem de propósito!

só me questiono sobre o tipo de atributos das empregadas de mesa...
Houve um dia que fomos ao interior do Reichstag (http://en.wikipedia.org/wiki/Reichstag_building), esse grande edifício onde trabalha o parlamento alemão. O edifício foi parcialmente destruído por causa de um fogo em 1933 e até 56 ficou à mercê de todo o tipo de atentados... (Note-se que Hilter nunca lá sentou o cu!) foi reconstruído entre 61 e 64 e até 1990 foi apenas usado para reuniões esporádicas. Em Outubro de 90 a cerimónia oficial de reunificação da Alemanha foi levada a cabo neste edifício e em 91 decidiu-se que o governo e o Parlamento devia regressar a Berlim (de Bona) e trabalhar neste edifício. No ano seguinte Norman Foster (http://en.wikipedia.org/wiki/Norman_Foster%2C_Baron_Foster_of_Thames_Bank) ganhou o concurso de reconstrução do edifício. E eis que o inglês lhe adiciou esta cúpula

numa "tentativa" de recriar a cúpula original do século XIX e de onde se tem uma vista fantástica de Berlim. Os trabalhos de reconstrução terminaram em 99 e desde então é aqui que trabalha o parlamento alemão. Dentro da cúpula de vidro tem um escudo com um sistema de detecção e bloqueio da luz solar directa que pode cegar quem está em baixo da cúpula, já que esta ilumina a principal sala de trabalhos do parlamento...

mas nós não vimos a espiral de espelhos a funcionar, porque estava a chover, não havia lá grande sol...
Mas quando saímos já o tempo estava melhor. E o céu azul combina melhor com o vidro e o aço do que as nuvens

e em Berlim, o vidro e o aço estão na moda... Este é o edifício da principal estação de comboios da cidade, a maior (em dois pisos) da Europa. (http://en.wikipedia.org/wiki/Berlin_Hauptbahnhof) a segunda foto deste relato foi tirada dentro da estação, no andar de cima!
deixo-vos com uma das minhas fotos preferidas de Berlim

do Allied Check Point Charlie (http://en.wikipedia.org/wiki/Check_point_charlie), ponto de controlo dos aliados onde ainda hoje se mantém uma bandeira americana. Em frente da cabine onde se checkavam os passaportes tem esta fotografia de um soldado soviético e do outro lado figura um soldado americano. Ao lado está um painel que de um lado diz "You are leaving the american sector" e do outro "You are entering the amerian sector. Carryin weapons off dutty forbidden. Obey traffic rules"! Muito bom!! Na rua que vai dar aonde antes estava o muro, há agora um enorme mural com as histórias da II Guerra Mundial e da Guerra Fria, com imensas fotos daquele mesmo sítio, apenas com personagens muito diferentes!

and last, but not the least, o símbolo de Berlim: esses belos ursos!!
Eu adorei Berlim, e nada do que possa escrever ou mostrar aqui será suficiente! Não me guiei por nenhum critério em espefício para a escolha destas fotos. Tenho algumas bem mais exemplificativas das coisas brutais que vi em Berlim, e no entanto, não em sinto impelida a publicá-las. Vi ainda uma exposição de diferentes tipos de relva de uma alucinada americana e uma fantástica exposição sobre Anne Frank. Esta última tocou-me particularmente pela conexão feita aos dizeres de adolescentes, judeus, filhos de imigrantes ou naturais de Berlim, da actualidade. A exposição feita mais por vídeos, fotos e elementos audio requer mais do visitante uma postura alerta do que uma atitude passiva do observador de um museu. Vi mais um milhar de coisas e bares e restaurantes baratos que não merecem qualquer tipo de registo a não ser na minha cabeça! Mas, o que eu mais gostei em Berlim foi de sentir que estava de volta a uma cidade NORMAL, onde eu não sou mais escura do que 90 % da população e onde as barbies andam de mãos dadas com os punks, onde há freaks com cães, como eu já não via há muito!! Gostei da rapidez com que tudo se faz e se come e se compra e se ve e se anda. Gostei das lojas de design e dos sapatos da malta na rua. Gostei do sistema de transportes e das pessoas a sorrirem na rua, gratuitamente. Gostei de não ser capaz e reconhecer estrangeiros e de ouvir falar N línguas, poder escolher que tipo de comida quero para o jantar... puff CURTI BUÉ BERLIM!!

segunda-feira, setembro 17, 2007

as saudades

há cenas que marcam períodos da nossa vida, sejam pessoas, músicas, sítios, filmes ou rituais. Eu há cenas que guardo no coração e na memória com um enorme carinho, como esta festa

http://www.youtube.com/watch?v=Mh-pbUEbAsI

e todas as outras deste período! E com isto só quero dizer que: QUANDO CHEGAR A PORTUGAL QUERO UM FESTÃO!!!

o vídeo é do dj Dudark

ele ha cenas do caraças

De sexta para sábado aconteceu-me uma das boas!! Eu às vezes passo-me com as pessoas... Já aqui muitas vezes vos falei da Julka, voluntária russa, mas não sei se alguma vez vos contei dos filmes dela. De vez em quando pára lhe o relógio e desde ter ataques histéricos nas manhãs de ressaca a cismar que tem que lavar o cabelo em minha casa, já a vi fazer de tudo. No fundo é só uma miúda mimada que precisa de bué de atenção de todos os lados e mais algum. Ora ela foi-se embora ontem, sábado, à tarde. E não é propriamente tão fácil voltarmos a ver-nos como com o resto da malta europeia. Sendo assim, aqui a je decidiu voltar para a Estónia, na quinta-feira, a tempo da festa de despedida. Antes de ir de férias ela pediu-me para voltar a tempo e tal... Mas eu não sabia como é que as viagens iam correr, então não lhe prometi nada... até lhe mandei um postal de Berlim, a despedir-me, para o caso de não chegar a tempo.
Lá cheguei na quinta, mandei umas mensagens ao pessoal e ela liga-me: "ai e tal, tás de volta, que fixe, blá blá blá". Passadas umas horas estávamos num dos sítios do costume a beber uns finos quando eu lhe perguntei pela festa de despedida, o que é que tinha planeado, etc. "Ah... I don't want a party!" Oh pah, isto vindo da gaja que mais festa faz... é um bocado estranho, no mínimo... Mas eu como já conheço a personagem, vi logo o filme todo: não tinha nada organizado, então diz que não quer, para a malta lhe implorar uma festa e organizar tudo por ela... ou pelo menos eu assim pensei, e quem me dera que assim tivesse sido. Na sexta-feira à tarde pus-me a fazer pataniscas de bacalhau, para a festa, fui à compras para fazer uma sobremesa e tal... havia uma workshop de dança africana ao final da tarde, muito perto de casa da Julka, e eu tinha ficado de lá ir com as outras voluntárias. Mas a russa lá me ligou a dizer que tinha decidido fazer: "a small dinner from 7 to 9". Claro que a mandei logo abaixo de Braga... mas desde quando é que as festas tem a duração limitada de duas horas?!?! Fiquei podre!!
Encontrei-me com a Dorota (que tinha comprado uma garrafa de vodka para a ocasião e um presente para a russa) e com a Elina. Elas estão cá só há um mês, então, fui levá-las ao workshop para não se perderem. E seguiria para casa da Julka, para a ajudar a cozinhar e tal... Pelo caminho encontrei a Katriin e a Natja (que tb chegaram há um mês) e fomos comprar vinho e as cenas para a sobremesa. Chegámos a casa da russa às 6h30 e SURPRESA!!! Ela não estava em casa! Oh pah, eu fiquei com uma cara de tacho... Quem me abriu a porta foi a Saska, uma voluntária da Macedónia que chegou há dois meses e é uma fixe. Do alto dos seus 28 anos disse-me muito calmamente "You should know her..." oh pah... venho eu (e as outras duas) toda artilhada para a festa... e zero! Nem os novos voluntários que lá moram agora (3 gajas e 1 gajo que chegaram nas últimas duas semanas) sabiam que era suposto haver "festa"!
Lá me refiz do choque inicial e meti mãos à obra: fazer bolinhos de côcô! E eis que senti a segunda parte do meu EVS começar: eu estava a cozinhar no mesmo sítio onde desde há oito meses que o faço, mas não conhecia ninguém à minha volta. E senti-me bué de esquisita por estar mais familiarizada com a cozinha do que os novos habitantes daquela casa! Isso, por causa da maneira como me olhavam, incrédulos! Eles são: Silvia, 18 anos, boliviana, personagem; Mart(in)a, 20, alemã, normalíssima; Christian, 20 e muitos, alemão, parece um garfo, esticadinho e mudo; e Ella, vinte e poucos, o nariz empinado da Arménia! Digamos que não é propriamente o ambiente familiar de antes! Lá chegou a russa, para me lembrar p que é que eu estava ali a fazer... e estrilho, logo! Eu a tripar com o simples facto dela nem para a sua festa de despedida estar a tempo. E ela a tripar porque aquilo era só um jantar... Numa hora cozinhou um arroz com cogumelos e salcichas, fez um pequeno discurso e bazou... Assim!! Foi a primeira despedida a que eu assisti em que não houve festa, não houve álcool, risos nem lágrimas, fotos ou abraços... Ainda a Dorota e a Elina não tinham chegado do workshop e já Julka se preparava para bazar, com o seu novo "amigo"! A mim, directamente, não foi capaz de me dizer nada, acenou do fundo da cozinha. No hall de entrada cruza-se com as dançarinas e diz que vai bazar, porque tem um jantar, com o Madis, "namorado", muito importante, um "tête-a-tête"! (A Dorota, que até lhe comprou um presente, ficou com uma cabeça...) E bazou com o personagem que conhece há menos de duas semanas, mas que eu e o Thomas já conhecemos há uns meses (graças às suas abordagens de bêbado e repetidor de perguntas)! Ela lá foi e nós (eu, Dorota, Elina, Katrin e Natja) a beber a vodka e a ser o bobo da corte dos novos habitantes do castelo... Claro que bazámos super cedo, ainda a garrafa ia a meio e fomos ter com o Thomas ao centro (que tinha um jantar com a sua princesa e esperava encontrar a Julka na noite). O moço ficou incrédulo com a história que lhe contámos e só dizia: "It's time for her to go back home"! Depois lembrou-se que no dia seguinte ela ia com ela para Moscovo, de comboio e que ia ter que a ouvir, a viagem toda... "and she talks a lot, you know"...
Lá fomos para o sítio do costume, mas não se passava nada de especial e foi tudo para casinha! sábado acordei e pus-me a gravar cd's de fotos que a Julka me tinha pedido há um mês. O Thom veio a minha casa buscar uma mochila antes de apanhar o comboio, levou os cd's para a russa e eu nem à estação de comboios fui despedir-me! Afinal, ela só queria um jantar, não queria uma despedida como deve ser...
Agora que acabei de escrever isto, começo a duvidar se deveria publicar ou não... É que não é nada de especial, mas tinha que deixar registo. Apetecia-me era falar com os outros, o Kê ou o Georgios. Gostava de discutir isto com a Alice! Mas como escrever em português é mais fácil... aturem-me!

sexta-feira, setembro 14, 2007

acabou-se o que era doce!!

amiguinhos e amiguinhas,

estou de volta à Estónia para cumprir os últimos 3 meses que me restam neste EVS =)
Adorei Berlim, alucinei em Praga e ainda tive tempo para ver Varsóvia. Passei quase 2 dias em autocarros, mais de 1000km...
Mas, comi pastéis de nata, falei mt português, vi amigos e conhecidos que não esperava encontrar, vi cenas do caraças e recebi duas mt boas notícias!! Mas eu depois conto-vos tudo, tudinho! Agora é mesmo só para reabrir oficialmente o blog! Benvindos a bordo, novamente!!

terça-feira, agosto 28, 2007

blog encerrado para ferias, finalmente!

Caros viajantes,

venho por este meio informar que amanhã abandono a PUTA (http://aldeialusitana.blogspot.com/2007/08/puta.html).
Se sobreviver à noite de hoje, amanhã à tarde embarco para Berlim... vou visitar 4 alemães que conheci na Estónia (3 voluntárias e um amigo de ERASMUS). Devo ficar 5 a 6 dias na cidade onde eu gostava de estar a fazer este voluntariado...
de Berlim sigo para Praga, para fazer bacalhau com natas! É verdade, a minha fama (e o proveito) de cozinheira levou uma tuga em Praga a preparar uma noite de bacalhau com natas... Ela e mais dois tugas são a razão da minha visita. se alguém tiver mais alguma sugestão, por favor...

de Praga começarei uma odisseia para voltar à Estónia, já que não tenho nenhum bilhete... o meu plano é ir de comboio ou bus até Vilnius, na Lituânia. Lá passar um dia ou dois com a Tânia (http://www.tuganolestee.blogspot.com/) e... se ela estiver disponível e disposta, virmos à boleia para Tallinn. Se não, e porque matava a minha mãe do coração, venho de bus, pelo menos até à fronteira... todos os trocos que poupar serão bem precisos...

ainda não embarquei nesta viagem, mas já ando a pensar nas próximas... Começo a ver o meu tempo aqui a esgotar-se... os amigos dizem que vêm cá, mas é só dizer. Então tenho que ir visitar povo... o próximo contemplado será o Diogo, em Estocolmo. E pelo que ouvi dizer hoje a Tânia também lá estará. Além destas fortes razões, os preços do ferry estão estupidamente baratos( tipo: 30 euros ida e volta...) e o Manu Chao vai la tocar em Outubro... e porque não?? Entretanto... a Ucrânia continua nos meus planos, com voos desde 100 euros... e tenho que ir à Finlândia, só para dizer que sim! Até me fica mal não ir lá, se bem que não me chama e pelo que tenho visto e ouvido, não me vai agradar!

Entretanto, é oficial, o Verão acabou na Estónia! as temperaturas desceram, nos últimos 2 dias, cerca de 10 graus! já guardei as sandálias, as havaianas e os sapatos abertos... de Sexta para sábado os meteorologistas prevêm 6 graus para a noite...
a mim, estas temperaturas já não me chocam. Choca-me sim a rapidez com que elas aparecem! E hoje está a chover torrencialmente desde as 10h30 da manhã, altura em que enteri no office, e o céu despencou atrás de mim. mas há dias em que o céu ainda é azul...



meus caros e minhas caras, amores e amoras, framboesas e morangos: estarei de volta, cheííííínha de coisas bonitas para contar, lá para o meio de Setembro! Até lá divirtam-se e comprem viajens para me virem ver!! ;)

quinta-feira, agosto 23, 2007

o quarteto dos 3 irmaos Pedro e Paulo

há dias de manhã, que nem sempre à tarde um gajo deve sair à noite... tipo hoje! Chego ao escritório às 11 da manhã e o boss tá de saída. Aproveita e diz-me: "olha, vai também, que hoje não há muito que fazer..."
Não é que eu não goste que me dêem dias livres... mas se me avisarem com alguma antecedência...
Entretanto com a brincadeira acabei por ficar aqui o dia todo a tratar e merdas e merdices pessoais, blogs, mails, blogs, jornais, etc... agora vou-me que logo à noite há DnB...

quando mudei para a casa onde vivo agora esta foi uma das primeiras coisas em que reparei. (rua adjacente à minha, onde passo todos os dias). Era só um par até há um mês atrás. Hoje de manhã já lá estavam 3 pares... mais actualizações para breve!
Ah!! sim, é um fio de electricidade entre duas casa, que atravessa uma rua... e não, não tenho nada que ver com isto, nem sei como as all star foram lá parar!

quarta-feira, agosto 22, 2007

o inicio de Agosto

Depois do Festival de Folk, tive a minha primeira semana de Férias, mas que conta como horas de trabalho... o que é assim: espantífico!! À chegada ao país de acolhimento temos o chamado "On arrival trainning course" e mais ou menos a meio o "mid term". Então, lá nos levaram 6 voluntários (3 franceses, eu, um alemão e uma sueca) para o meio do nada, para passarmos uma semaninha de relax. Eu não sei se os outros voluntários, noutros países têm tanta sorte como quem vem para a Estónia... É que aqui fazem o favor de nos levarem sempre para lugares lindos, hotéis de muitas estrelas, comida da melhor, saunas e torto e a direito e pelo menos um dia de actividades de lazer, em eu é mais trabalhar com o corpo do que com a mente. No on arrival, este dia não foi muito de lazer... Começou com uma caminhada pela floresta, durante quase 5 horas, à noite, uns menos 10 ou 15 graus, com neve pelos joelhos e escuro como breu e bem pertinho do mar e da nortada gelada! Mas é para fomentar o espírito de equipa e tal e tal... e a malta lá sobrevive, porque a bem dizer não tínhamos outra hipótese! no Mid term... bem, já vos conto o dia de lazer, deixem-me só fazer um (grande) parênteses.
O Festival de Folk só acabava no domingo à noite, ou na segunda para os sobreviventes da after party. Para irmos para o nosso mid term tínhamos que estar à uma da tarde na Estação de autocarros da cidade onde decorreu o festival. Tudo óptimo, não houvesse 3 pessoas a bazarem na segunda de manha, de Tallinn. Nem sequer é justo dizer "três pessoas", parecendo que todas representam o mesmo para mim, quando isso não é verdade! De manhã cedo foi o Emrah, o turco com a mania dos domínios e dos programas megalómanos. Este sozinho não me fazia ir ao aeroporto nem que estivesse lá perto e sem nada para fazer... A meio da tarde foi a Doro, alemã, novinha, mas (provavelmente) a mais madura de todos os voluntários que conheci! Passei poucos, mas bons momentos com ela. Dotada de uma inteligência rara e de um sentido de humor impressionante, ela sim, tem um plano. Vai estudar medicina, ingressar pelo ramo da tropical e voltar a ser voluntária onde mais for precisa! Mas, estivemos juntas no Festival, não iria a Tallinn de propósito se não fosse pela Lena, ucraniana, que foi embora ao fim da manhã. Ainda bem que me despedi dela na noite anterior e não a vi entrar para o autocarro e desaparecer mesmo enfrente dos meus olhos. Poupou-me uma grande choradeira, um dia triste como o caralho e uma dor de cabeça à noite! A Lena foi das pessoas com quem mais aprendi aqui. Aprendi a fazer panquecas diferentes dos crepes franceses, aprendi umas boas lições em russo, aprendi que mesmo quem não tem salero pode aprender capoeira e berimbau... Aprendi a dar, se esperar nada em troca e a surpreender-me quando esse algo acontece. Aprendi que às pessoas hiperactivas não basta dizer: "não faças, não comas, não treines", tens que fazer e comer e treinar antes delas. Aprendi a relaxar e não tripar com quem não pára quieto quando eu quero aterrar ou quando já fez de mais na mesma sala onde há quem nada tenha feito. Não vou escrever muito mais sobre ela porque começo a ficar lamechas... Digo-vos só que ela se candidatou a um visto de trabalho na Estónia para puder continuar a trabalhar no seu projecto (Living for Tomorrow - AIDS prevention centre), e que os voos de Tallinn para Kiev são estupidamente baratos... so, who knows? pode ser que nos encontremos mais cedo do que seria de prever!
Então no domingo do festival levantei-me cedinho e fiz-me à estrada com o belga poliglota, que faz anos a 29 de Fevereiro, para mais uma aventura à boleia! Uma hora depois de termos esticado o dedo há um gajo que nos leva até meio do caminho que é como quem diz até meio do nada, a 80 km de Tallinn. Começa a chover assim que saimos do carro... uma hora e meia depois já nos tínhamos rendido às evidências e decidimos apanhar um autocarro. Mas o primeiro que parou ia tão cheio que não nos levou... e dez minutos depois aconteceu o mesmo! Ao cansaço e à ressaca juntam-se a frustração e o frio e como podem imaginar o meu humor não era o melhor... Mas antes que parasse o terceiro autocarro (quiçá cheio como um ovo) eis que um tunning nos dá boleia, no seu golf todo quitado! E pronto, jantarada com o pessoal, copos sem brindes, tristes festas de despedida!
Na segunda de manhã lá fui, com o Thomas, de volta para Viljandi, onde um autocarro nos esperava para nos levar para Kopra Talu, em Sooma que é como quem diz, na zona pantanosa do Sul da Estónia. Cerca de 50 por cento do território estoniano é floresta e mais de 20 por cento é composto por pântanos ou lodaçais... pois, claro que neste país há menos de milhão e meio de pessoas!!! Nesta área do Sul há umas centenas de ursos, milhares de alces e de castores e mais cegonhas do que eu alguma vez vi! Isto para não falar em linces, lobos e veados... que aqui há a dar com um pau! Sim, linces, o mesmo tipo de gato que está em vias de extinção em vários pontos do mundo... aqui é permitido caçá-los porque ainda há muitos! Claro que isto é o que nos dizem porque os únicos animais que eu vi foram mosquitos, melgas e peixinho dourados...
O complexo hoteleiro onde ficámos era muito à frente, sendo a casa principal de há uns século atrás, arquitectura estoniana, lareira aberta para puder meter troncos inteiros a a partir do exterior. A casa de madeira tem um sistema muito marado que permite acrescentar grandes troncos de madeira no interior, para tornar o tecto mais baixo, logo menos espaço para aquecer. Em invernos rigorosos além da família partilhar o espaço principal da casa com os animais (eles mesmos uma fonte de calor), podia baixar-se o tecto até ao limiar suportável... Eu já vos disse que a chaminé era tão pequena que a casa por dentro é preta?
a sala de jantar...



Como foi uma casa de caçadores durante não sei quantas gerações há animais embalsamados e peles por todo o lado... agora deixo-vos apenas com a foto do interior, mas o que eu quero publicar são as do exterior... até já

as perguntas dos leitores

Post 114 - "Os setes da vida", 2º parágrafo. A Raquel, que esteve em Tallinn quando a neve ainda derretia nos telhados fez-me uma questão muito pertinente: Onde é que eu vou estar daqui a sete meses?? É uma questão do caraças... se eu não a conhecesse diria que é jornalista!! A esta questão eu só sei dar não respostas... não consigo formular uma resposta 100% certa. Ora, na Estónia não vou estar... Talvez em Portugal, talvez em Espanha, talvez na Alemanha... Talvez num outro sítio qualquer. Na pior das hipóteses, estarei de volta à terra natal, com o mesmo emprego de há um ano atrás, a aturar os mesmos politiqueiros de merda, a beber café nos mesmos sítios de há tanto tempo... Isto é o que mais me assusta que aconteça: Voltar à estaca zero! Tenho medo de perder tudo o que aprendi, que se me fechem os horizontes, que me preguicem (esta palavra existe??) as ideias de iniciativas! Eu tinha pensado em voltar à terra mãe, falar com o patrão, tentar voltar ao mesmo emprego, fazer estágio profissional, juntar uns trocos e em 2009 embarcar em nova aventura. Abroad. Falei com a pita amiga e colega de trabalho que compreende este plano melhor que ninguém. Mas... assusta-me muito voltar ao início. Como se a Estónia tivesse sido apenas um parêntesis na minha existência. O que eu quero é que esta experiência seja o início de alguma coisa e não apenas uma interrupção...
Então, Raquel, eu não sei onde estarei daqui a sete meses porque não tenho um plano... A semana passada candidatei-me a um estágio remunerado ao abrigo do programa Robert Schuman, do Parlamento Europeu. As bolsas deste programa permitem aos estagiários trabalharem no Luxemburgo, em França ou na Bélgica. Mas as bolsas para jornalistas dão aos candidatos a oportunidade de escolher um Centro de Informação em qualquer capital europeia, mais algumas cidades... Então, depois de cuidadosamente preencher a ficha de candidatura deparei-me com a seguinte pergunta: "Where would you like to work?". E respondi muito sinceramente: "Barcelona" como primeira opção e "Berlim" como segunda. Portanto, em Dezembro quando saírem os resultados ficarei a saber se vou trabalhar, por 5 meses a começar em Março, em algum departamento do Parlamento Europeu. Por isso, daqui a 7 meses pode ser que esteja algures numa cidade europeia.
Se a resposta for negativa... olha, minha cara, não sei! Sei o que não quero, mas não sei o que quero, não sei em busca de quê devo ir. Não sei se quero ser jornalista, se quero voltar a estudar (mas não me parece)... Gostava de continuar a ser voluntária, mas desta feita algures onde possa mesmo fazer a diferença e ver os resultados práticos da minha acção a curto prazo. Quem me conhece bem, sabe que gostaria de ir para a América Latina, por uns tempos largos. Gostava de trabalhar na Rede de Cidades Sustentáveis, arregaçar as mangas e trabalhar com pessoas em reais problemas. Processar lixo, ensinar a ler e a contar, transmitir informação sobre doenças venéreas e merdas afins. Gostava de voltar a ter 18 anos e pensar que posso mudar o mundo! Mas acho que estou no bom caminho para mudar o meu mundo. Gosto de ser voluntária, de não ter quase nada e querer sempre mais, de viajar sem dinheiro, contar apenas comigo e com as pessoas que vou conhecendo ao longo do caminho. Gosto que as pessoas reconheçam o meu esforço por fazer alguma coisa positiva pelo mundo deles. Quero continuar a fazer pingar pequenas gotas de verde nesta grande bola azul-cinza.
Isto é tudo muito bonito, mas... sejamos sinceras... O mais certo é que não resulte ou que leve muito tempo a resultar! Se assim for, só há uma coisa que eu te posso dizer: é que prefiro servir à mesa em Barcelona a trabalhar num pasquim ou em publicidade na minha terra natal (que eu adoro e que julgo ser um óptimo sítio para se crescer e da qual sinto muitas saudades)!
Seja como for, 4000 km a Leste, 10 000 a Oeste ou no ponto zero, vou certamente continuar a manter este diário de bordo. E onde quer que esteja tu e todos os que me lêem são benvindos! =)

terça-feira, agosto 21, 2007

ainda sobre Viljandi

Não sei se já aqui vos falei da Amèlie e do Jonathan, um casa de voluntários franceses que trabalham aqui muito perto de Tallinn. São duas grandes personagens, mas putos do bem! Têm dois blogs acerca do seu voluntariado - un em francês e um em inglês. neste último postaram um vídeo catita sobre o festial de Folk.

http://estonia.blogsome.com/2007/08/17/viljandi-folk-music-festival/

ai fica o link, o início do video é logo com Dazkarieh a abrir. Se se aborrecerem passem para o último minuto onde tem umas fotos catitas.
Se não se aborrecerem prestem atenção ao canto esquerdo da audiência, perto do palco. Foi nesta música que os estonianos começaram a dançar uma cena muito tradicional. Eu sei que mal se vê, mas fica aqui o registo visual e melódico daquilo que eu já tinha descrito como "no mínimo, emocionante"!

A Amèlie ainda me chamou a atenção para o facto da minha bela tromba estar no site oficial do festival, no concerto dos tugas! Assim só de repente acho que eu e os Holandeses que estão ao meu lado (o que parece coreano era voluntário) fomos a razão da foto... ou isso ou o fotógrafo sabia que eu era tuga!! =P


Hoje é terça, mas eu ainda estou meia ressacada do fim de semana. Sexta festa na minha casa para acolher 3 novas voluntárias. Sábado festa reggea, festa gay, festa da cerveja... domingo de anhanço, cerveja no parque... segunda feira fomos ao Zoo (porque era de graça) e acabamos a beber cerveja num sítio novo que tem os finos mais baratos do pedaço... é o caos!! Há a reter que as novas miúdas são umas porreiras, até a alemã que tem "ALUCINADA" escrito na testa!!
jºa vos conto mais

sexta-feira, agosto 17, 2007

para o tio mexicano

Olha lá, oh meu grandessíssimo lambedor de glandes;

Quando a Lee for a Praga já a festa tá feita!! Sim sim, a festa SOU eu!!
Aqui a trombuda já avisou os paneleiros dos patrões da sua ausência por mais de 2 semanas. Ou seja, gosto tanto de ti, estou tão disposta a ser o teu ombro, e por acaso o dia 14 calha a uma sexta... que pode ser que só volte para cima depois disso!!
Leste bem, oh azeiteiro?? Vê lá se te portas bem, senão temos problemas!
não sei se te referias a outros paneleiros a avisar... qualquer um dos meus amigos, (homos ou não) que leiam este blog já deviam saber, porque escrevi um post sobre esta viagem a 6 de Junho!!!
Tu trata-me bem e trata de arranjar uma cama para mim! Eu levo a vodka, tu trata dos Birls! E é melhor que arranjes bacalhau para fazermos uma tainada à maneira ai pó povo se lambuzar ;)

prepara-te!! I am coming to rock your world!!

quinta-feira, agosto 16, 2007

os setes da vida

faz hoje 7 meses que cheguei à Estónia. 2007 é um ano muito importante para mim, também porque sempre gostei muito do número 7... Restam-se 4 meses aqui!
Desde Janeiro já acolhi 7 portugueses: Pedro, Dani e Cati (de SJM para o mundo), Raquel e Zé (viajar até onde o amor nos leva), Daniela (de Fafe para a Letónia) e Nuno (EVS no sul da Estónia).
há 7 coisas que descobri desde que cheguei aqui:

1- um dia posso vir a ser uma pessoa (mais) paciente
2 - não gosto de funcho
3 - brincar na neve é fixe
4 - o sol da meia noite existe e é brutal
5- é possível ser amiga de pessoas que não têm nada que ver comigo
6 - gosto mais de povos do sul (até ao mediterrâneo) do que do norte
7 - ao longe se medem certas amizades...

vamos ver o que penso da Estónia daqui a 7 anos. E se ainda mantenho como amigos as 7 pessoas mais importantes para mim nesta experiência

sexta-feira, agosto 10, 2007

Festival de Música Folk Viljandi, Sábado parte II

Depois do chileno já nada me importava. A verdade é que o Chile vem desenvolvendo em mim uma atracção crescente. O meu poeta (estrangeiro) preferido é chileno. Sim, Neruda, claro, e não preciso explicar porquê. Tenho lido alguns livros de Isabel Allende, mas o último, não foi ler... devorei-o em menos de nada e emocionou-me muito. "Paula" é uma descrição da vida da autora, cheia de realismo mágico, mas onde tudo é verdade e não ficção. As descrições das viagens da infância pelas montanhas e as praias, o governo de Allende, o golpe militar, o exílio... tudo é descrito de semelhante maneira que cresce em mim uma curiosidade enorme sobre aquela franja de terra sul americana. E o concerto de Fernando Stern foi como que um culminar para esta "coisa" que não sei nomear muito bem. Portanto, depois daquele concerto eu estava... puff!
Fomos ver umas irlandesas, muito giras, que tinham uma música engraçada, mas nada de especial. a melhor parte foi mesmo quando dançaram um bocadinho e a malta foi ao rubro!

o Simon conseguiu apanhá-las todas com os pés no ar. Muito giro.
mas eu estava mais entretida a tirar fotos aos apaixonados...

Camille, França e Moos, Holanda. uns fofos.
Acabadas as irlandesas mudámos de palco para uns espanhóis alucinados! A banda de Eliseo Parra deu um espectáculo muito bom. Cheio de diferentes tipos de música tradicional, cantado em espanhol e catalão, com N instrumentos. Para completar o ramalhete era o aniversário da Sete, de Sevilha...

As ibéricas ao rubro!
e ao rubro estava também esta valente croma

que era tão espanhola como uma coreana vestida de minhota! Há povo neste mundo que bate muito mal. Entretanto, o Senhor Eliseo Parra dava um espectáculo tocando pandeiro e umas merdinhas de percussão muito à frente. Mas o homem dos sopros, que fumava enquanto tocava saxofone é que deu show. A meio do concerto lembra-se de pegar na muletea em que se ia apoiando e fazer dela mais uma flauta!

o delírio claro!!
entretanto apercebi-me de mais uma cena interessante que distingue este festival dos outros onde estive. Os pais sentam os putos na beira do palco. Isso, não existe fosso entre os artistas e o público. E eu só me apercebi disso porque de deparei com este puto a olhar para mim e a sorrir, de vez em quando

Depois do concerto foi quand encontrei os artistas portugueses na rua, dois dedos de conversa e tá feito. À noite fomos ver os húngaros Besh O Drom a tocarem umas ciganadas bem catitas. Mas quando os músicos só se interessam pela música e tão-se bem a cagar para o povo... por muito boa que seja a música e não era assim nada de extraordinário.

cenas do próximo episódio, já a seguir

quarta-feira, agosto 08, 2007

darle un respiro al planeta

El 10 de AGOSTO de 19:55 a 20:00 Hrs. se propone apagar todas las luces para darle un respiro al planeta (la propuesta proviene de Francia. si la respuesta es masiva, el ahorro energético puede ser brutal. Sólo 5 minutos, a ver que pasa. Si, si, ya sé que estaremos 5 minutos a oscuras con cara de tontos, pero recuerden que Internet tiene mucha fuerza y podemos hacer algo grande. Pasa la noticia. POR FAVOR NO reenvíes este mensaje, COPIA Y PEGA EL texto en nuevo un mensaje para no crear listas de usuarios para correo basura, sólo se tarda unos segundos más.
GRACIAS


--
www.trochujinak.cz
incoming@duha.cz
www.iynf.org
www.meetthefreak.net
www.hospitalityclub.org
www.tuganacheca.blogspot.com


vamos todos apostar que é hora espanhola e francesa...

figuras e festivais sem fumo

Façamos uma prolepse na narrativa deste blog, de modo a recuarmos (um pouco) no tempo real desta história que é a minha. Saltemos do final de Maio, da visita dos três tripes tugas, para o final de Julho, o Festival de Música Folk de Viljandi. (ainda aqui vos hei-de contar o que se passou entre Junho e Julho. Mas foram meses tão povoados de festas de despedida e choradeiras pegadas, que ainda me custa um pouco escrever sobre eles!)
Ora então 27 de Julho, sexta feira eis que eu e a Julka nos fazemos à estrada depois de almoço para apanharmos uma qualquer boleia rumo a Viljandi, que dista uns quase 200 km de Tallinn. Um pai de família, com a sua filha adolescente, dá-nos boleia no seu jipe a cheirar a novo, directamente para o Festival! Fácil fácil!! Pelo caminho fomos a ouvir The Doors e a apreciar a paisagem. Tanto que até vimos um alce!! Há muitos alces na Estónia, bem como ursos, castores, veados, andorinhas e cegonhas. Mas eu cá nunca tinha visto um. foram 3 segundo muito felizes. depois lembrei-me de ligar à minha Super Pi para lhe desejar um FeLiZ aNivErSáRiO e perguntar se tinha recebido a minha prenda no correio. Para mim é sempre uma excitação falar com quem me diz tanto, mesmo que seja em silêncio. Mas desta vez foi ainda mais potente porque foi no momento exacto em que ela recebia a prenda e a desembrulhava... Não vos vou dizer o que era. Fico à espera que ela a vista e tire uma foto que eu possa colocar aqui!! (ouviste??)
Chegadas a Viljandi lá tratámos de encontrar a malta, especialmente a Bárbara que tinha o meu belo bilhete de imprensa... há tiques que nunca se perdem, como o de pedir credenciais de imprensa para tudo e mais alguma coisa. e não é que resulta?!? Então ainda apanhei o restinho do concerto de uns freaks do Sul da Estónia. São de uma área que se chama Setoma e que tem o seu próprio dialecto e cidades divididas a meio pelas fronteiras com a Rússia... Os Setots são considerados os índios da Estónia, ainda vivem de maneira muito tradicional e há muitos que não falam nada mais que o seu dialecto que é um misto de Estoniano com russo, numa mescla incompreensível!! (Ontem, por acaso, conheci um tipo desta região que tinha mais pinta e cor de ser do Sul da Europa que muito tuga que eu conheço!) O concerto foi fofo, dentro de uma tenda onde tive as primeiras impressões do festival: afinal há gente gira na Estónia (devem é viver todos em Viljandi!!) e... nem sei como hei-de pôr isto em palavras... Não cheirava a Birls, ninguém fumava, nada! Foi a primeira vez que me vi num concerto e num festival, com ar totalmente puro. E digo-vos: não tem grande piada!
Depois foi hora de ver os tugas Dazkarieh! É verdade e foi uma das razões que me levou a ir ao Festival. Já não me lembrava da última vez que os tinha visto... talvez Avante! 2005... não sei! Mas foi uma alegria ouvir gaitas e puder cantar, mesmo sabendo que era a única, além da vocalista!! Eles deram um belo concerto, puseram os estonianos a cantar e a dançar.

Numa música mais calma, instrumental, um canto da audiência transformou-se em grupo de dança tradicional estoniana. Estes tipos adoram dançar e cantar, mas eu nunca pensei que visse a cena mais tradicional estoniana ao som de música portuguesa. Foi, no mínimo, emocionante! Acho que os artistas também gostaram.

mais tarde encontre-os na rua, pelo festival e eles confirmaram ter gostado muito do concerto! Ficaram espantados de ver uma tuga na Tóina... mas o que eles não viram foi o meu look durante o concerto...

sim, choveu que não foi fácil... tanto que mesmo ao meu lado se dançava assim:

peço desculpa por ter cortado as cabeças aos bailarinos. Não é que fossem feios, mas vocês sabem que tenho o visor da máquina partido...
Mais bonita era a paisagem que se tinha do palco, suponho eu... é que Viljandi é das poucas terras na Estónia que tem colinas. Aqui não há montanhas. E o palco estava montado no topo de uma colina que ao fundo tem as ruínas de um castelo e em baixo um lago.


de uma colina para a outra há uma bela de uma ponte vermelha, suspensa, na qual eu quis tirar uma foto de família com a minha máquina parida... bem, ia ficando sem máquina, e ponte... quase nem se vê!!

ora ai estou eu e os alemães... à minha direita a Barbara, à esquerda a Doro, e no segundo anel Laura e Simon.
Fomos dar um pézinho de dança no folk estoniano... é muito bonito, mas lentooooo... e à noitinha vimos um alucinado de um australiano que eu não percebi o que estava a fazer no Festival. Ora além de ser dj de música electrónica tem nome de dj de trance: Amanaska! oh pah... mas o gajo era muito bom, assim mais pó chill out. Até tem uma música com as índias de Setoma a cantarem no seu dialecto marado... e vale a pena porque o gajo faz a música no seu belo MacBook Pro e enquanto deixa o som rolar toca didgeridu, umas cenas freaks de sopro e algo que se assemelha a um realejo! ah!! e canta!!

no Sábado, o primeiro concerto do dia foi o de um chileno chamado Fernando Stern. O homem foi tão bom que tocou em todos os dias do Festival, tiveram que lhe arranjar espaços no programa porque toda a gente o queria ver. Basicamente o senhor, sozinho, com a sua guitarra e a sua flauta foi capaz de dar mais show que muitas bandas que eu já vi. Cantou música chilena, cubana, mexicana... sempre a introduzir as canções com pequenas estórias sobre as mesmas. É daqueles músicos que tem semelhante vocação de entertainer que até arrepia. E canta com tanto sentimento que mesmo os estonianos sem perceberem uma palavra do que o homem cantava, estavam emocionados. Quando ele cantou a música que um brasileiro fez porque queria orar à Nossa Senhora da Aparecida, mas não sabia ler e como tal rezar... foi o fim, o caos! "Sou caipira pira pora Nossa..." fez-me chorar do início ao fim enquanto trauteava a letra sob o olhar assomado de quem se sentava ao meu lado. (também porque me lembrei muito da menina dos anos do dia anterior e do quanto ela gosta desta música) Foi dos melhores concertos que vi em toda a minha vida! A música foi boa, o espectáculo também e no seu conjunto, o concerto teve aquele estranho puder que só as obras de arte têm de nos comover e tocar e sensibilizar sem sabermos porquê nem conseguirmos contrariar os arrepios ou as lágrimas.

por hoje é tudo... até jazz

quinta-feira, agosto 02, 2007

viajantes e viajantes

eu queria aqui assinalar o 4 000 visitante deste blog (mesmo que eu seja um milhar deles), mas escapu-se-me a oportunidade... Lembrei-me disto há uns dias, mas hoje quando me lembrei se novo já íamos nos 4450... um bem haja a todos os que me lêem, um especial aos que gostam do que lêem e voltam mais tarde!

Entretanto esta semana estou perdida no meio da Estónia (no Sul, na verdade). Estamos no nosso treino de meio termo, no meio da área pantanosa do país! Já fizemos sauna, canoagem e caminhadas na floresta. Hoje à noite há mais sauna e uma churrascada para a malta, porque é a última noite... depois conto-vos tudo!!

deixo-vos com uma foto de um lago preto num Bog que em português é um lodaçal... mas eu depois explico melhor

musi